A Fundação Cidade Mãe (FCM) está ampliando o cadastro de famílias interessadas em acolher temporariamente crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por determinação da Justiça. O serviço busca oferecer um ambiente familiar durante o período em que elas aguardam o retorno à família de origem ou o encaminhamento para adoção.
As famílias acolhedoras recebem acompanhamento psicossocial e orientação técnica antes, durante e após o acolhimento. Segundo a presidente da Fundação Cidade Mãe, Isabela Almeida, o serviço precisa de mais participantes para ampliar a rede de proteção às crianças e adolescentes.
"A sociedade precisa entender que pode fazer a diferença e transformar a vida de uma criança. O Serviço Família Acolhedora tem um impacto muito grande e oferece a essas crianças a oportunidade de crescerem em um ambiente de afeto e cuidado", afirma.
Podem participar pessoas com mais de 21 anos que morem em Salvador há pelo menos dois anos, estejam em boas condições de saúde física e mental e não tenham vínculo de parentesco com a criança ou adolescente acolhido. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (71) 3202-2428 e (71) 3202-2429.
Criado com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Serviço Família Acolhedora é executado em Salvador pela Fundação Cidade Mãe desde 2021. Desde a implantação, 52 crianças já passaram pelo programa. Os encaminhamentos são feitos pela 1ª Vara da Infância e Juventude de Salvador para casos de violação de direitos que exigem afastamento do convívio familiar.
A dona de casa Marilene Santos, de 42 anos, acolhe atualmente um bebê de oito meses e já recebeu outras quatro crianças pelo programa. Para ela, a experiência é marcada pela troca de afeto. "A gente recebe muito mais do que doa. As pessoas pensam na despedida, mas o mais importante é garantir que a criança se sinta acolhida e amada enquanto precisa de proteção", relata.
De acordo com Isabela Almeida, o ambiente familiar favorece o desenvolvimento físico e emocional das crianças. Ela cita o caso de um bebê acolhido com apenas 14 dias de vida que apresentou melhora em um problema na postura de uma das mãos após um mês sob os cuidados da família acolhedora. "Além da recuperação física, percebemos mudanças importantes no comportamento e no desenvolvimento emocional dessas crianças", conclui.