Sepúlveda Pertence, em seu tempo no Supremo Tribunal Federal cunhou a metáfora das 'onze ilhas incomunicáveis', em referência aos ministros que compõem a corte. pertence quis dizer que os ministros não conversavam sobre julgamentos, não se frequentavam, não eram necessariamente amigos - mas formavam o que o mesmo sepúlveda pertence chamou de 'arquipélago de onze ilhas'.
Sepúlveda pertence foi ministro do STF entre 1989 e 2007. Dezenove anos depois, o arquipélago descrito por ele está numa guerra interna inédita, em uma crise tentacular que já extravasou as paredes do Tribunal e chega a vários outros prédios e personagens da República Federativa do Brasil e, até o momento, não é possível desenhar como, quando e onde a tempestade vai arrefecer. Especialmente quando pensamos que daqui a umas poucas semanas as urnas revelarão os nomes que vão comandar o país no próximo quadriênio.
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A crise no STF não começou anteontem e tampouco é sobre o entrevero dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Nas últimas décadas e episódios, o STF ganhou um poder e um protagonismo político que, como jabuticabas, só se veem em terras brasileiras. ministros ganharam aval e tarimba pública para avançar limites, prolongar inquéritos, estabelecer censura prévia, suspender e atravessar ritos processuais e fazer todas as outras modalidades 'de ofício' possíveis e tornadas possíveis pelos criativos juízes.
O problema é que o ovo chocou e a serpente que saiu dele começou a morder os calcanhares e envenenar os excelentíssimos e cada mordida é uma declaração de guerra.Veja: nos últimos dias, um ministro quebrou sigilo de uma investigação que atinge outro ministro. o mordido, por sua vez, pediu ao claude um texto e contra-ataca, pedindo a investigação do primeiro. dias depois, outro ministro anula uma decisão do primeiro e proibiu novas medidas cautelares no âmbito dessa investigação. coube ao presidente do arquipélago parar o 'lá vai a bola' para [tentar] por ordem na casa.
As onze ilhas estão em guerra e, dificilmente, sairemos dela com marcas menos indeléveis que o batom de débora na estátua cega da Justiça