O Ministério Público da Bahia pediu à Justiça a condenação do jornalista e apresentador Marcelo Castro, do programa Alô Juca, da TV Aratu, pelos crimes de apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de capitais. Nas alegações finais do processo, o órgão também solicitou que a eventual pena seja cumprida inicialmente em regime fechado.
O caso ainda não foi julgado. Em nota, o próprio MPBA esclareceu que não pediu a aplicação da pena máxima ao apresentador, como chegou a ser divulgado. Segundo o órgão, a solicitação foi para que sejam fixadas penas acima do mínimo previsto para cada crime atribuído aos réus. A definição da pena, caso haja condenação, caberá ao Poder Judiciário.
Marcelo Castro responde ao processo por suspeita de participação em um esquema que teria desviado mais de R$ 500 mil em doações feitas por Pix para pessoas que recebiam ajuda em reportagens do Balanço Geral Bahia, da Record. Os fatos investigados ocorreram entre 2022 e 2023, período em que o jornalista ainda trabalhava na emissora.
De acordo com o Ministério Público, as provas reunidas durante uma investigação que durou três anos apontariam Castro como o principal beneficiário do esquema. A acusação sustenta que parte dos valores arrecadados para pessoas em situação de vulnerabilidade não teria chegado aos destinatários anunciados nas reportagens.
O MPBA também pediu a condenação de outras 11 pessoas envolvidas no processo. Entre elas está Jamerson Oliveira, que atualmente trabalha como editor chefe de Marcelo Castro no Alô Juca e é apontado pela acusação como um dos principais integrantes do suposto esquema.
Além das condenações, o Ministério Público solicitou que os acusados sejam obrigados a pagar R$ 1 milhão em indenização por danos materiais às vítimas.
Segundo a acusação, os recursos obtidos por meio das doações teriam sido incorporados ao patrimônio dos investigados ou distribuídos entre integrantes do grupo. O MPBA também sustenta que transações financeiras teriam sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos valores.
Marcelo Castro nega envolvimento com qualquer organização criminosa. Por meio da defesa, o jornalista afirmou que os valores recebidos nas campanhas de ajuda eram destinados às pessoas que haviam pedido auxílio.
A defesa de Jamerson Oliveira é a mesma de Castro.
Relembre o Caso
A investigação veio à tona em março de 2023, depois que o jogador baiano Anderson Talisca decidiu fazer uma doação de R$ 70 mil após assistir a uma reportagem do Balanço Geral Bahia.
A quantia seria destinada à família de Guilherme, uma criança de 1 ano que fazia tratamento contra o câncer e precisava de recursos para comprar medicamentos.
Antes de efetuar o pagamento, porém, um assessor de Talisca entrou em contato com Marcelo Castro e identificou uma divergência nos dados da campanha. A chave Pix informada ao jogador não correspondia àquela apresentada na televisão durante a reportagem. O número divulgado para a doação pertencia a uma pessoa da família da criança.
A situação levou a Record Bahia a abrir uma investigação interna e encaminhar uma notícia crime para que o caso fosse apurado pelas autoridades. Marcelo Castro e Jamerson Oliveira foram posteriormente demitidos pela emissora.
A criança morreu semanas depois da exibição da reportagem.
Conforme a investigação citada pelo Ministério Público, mais de R$ 540 mil teriam sido arrecadados por meio das campanhas de doação. Desse total, cerca de R$ 410 mil, o equivalente a aproximadamente 75%, teriam sido apropriados pelos envolvidos, enquanto R$ 135,9 mil teriam sido efetivamente destinados às pessoas que deveriam receber os recursos.
Agora, caberá à Justiça da Bahia analisar as alegações finais apresentadas pelo Ministério Público e pela defesa antes de proferir a decisão sobre o caso.