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OMS descarta risco de nova pandemia após surto de hantavírus em cruzeiro

Data:
Atualizado em: 07 de Maio de 2026
Da redação

Declaração ocorre após o registro de um surto da doença no navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado em Cabo Verde desde domingo (3)

OMS descarta risco de nova pandemia após surto de hantavírus em cruzeiro
AFP

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta quarta-feira (6) que o atual surto de hantavírus não apresenta semelhanças com o início da pandemia de Covid-19. Segundo ele, o risco global permanece baixo.

A declaração ocorre após o registro de um surto da doença no navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado em Cabo Verde desde domingo (3). Três pessoas morreram e outros oito passageiros são considerados casos suspeitos, de acordo com a OMS.

Questionado sobre uma possível comparação com os primeiros momentos da crise sanitária provocada pelo coronavírus, Tedros descartou a hipótese. “Não, acredito que não”, afirmou em entrevista à AFP.

Desde o último fim de semana, a OMS coordena ações com autoridades sanitárias de diferentes países para rastrear contatos e evitar a disseminação do vírus. Até o momento, a entidade avalia que não há necessidade de convocar um comitê de emergência.

Especialistas da organização destacam que o hantavírus tem comportamento muito diferente de doenças respiratórias altamente transmissíveis, como Covid-19 e gripe. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados.

A exceção é a cepa Andes, identificada em parte dos casos ligados ao navio, que pode ser transmitida entre humanos em situações específicas. Segundo a OMS, esse tipo de contágio exige contato extremamente próximo, como compartilhamento de cabines ou cuidados diretos com pacientes.

“É muito, muito diferente da Covid e da gripe”, afirmou Maria Van Kerkhove à Reuters.

A OMS também informou que não há indícios de mutações que aumentem a capacidade de transmissão do vírus, um dos principais fatores analisados em riscos de potencial pandêmico.

A suspeita é que os primeiros infectados, um casal holandês, tenham contraído o vírus fora do navio, durante atividades de observação de aves na Argentina. A cepa envolvida seria a Andes, comum na América do Sul.

O que é o hantavírus?

O hantavírus pertence ao gênero Orthohantavirus e causa a hantavirose, doença que pode provocar insuficiência respiratória grave. Existem mais de 40 tipos do vírus no mundo.

Nas Américas, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que afeta pulmões e coração. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, cerca de 40% dos casos podem resultar em morte.

Como ocorre a transmissão?

O principal meio de transmissão é o contato com roedores silvestres infectados. O vírus é eliminado pela urina, fezes e saliva desses animais e pode contaminar pessoas por meio da inalação de partículas suspensas no ar.

A transmissão entre humanos é considerada rara e está associada principalmente à cepa Andes.

O hantavírus também circula no Brasil. Entre 1993 e 2024, o país registrou 2.377 casos e 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde.

Em 2025, foram notificados 28 casos. Já nos primeiros quatro meses de 2026, seis registros foram confirmados. A maioria das ocorrências acontece em áreas rurais.

Sintomas e prevenção

Os sintomas iniciais se parecem com os de uma gripe forte e incluem febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, náusea, vômito e diarreia.

Nos casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória, acúmulo de líquido nos pulmões e queda da pressão arterial, exigindo internação em UTI.

Não existe vacina eficaz disponível nas Américas. A prevenção inclui evitar contato com roedores, manter ambientes limpos e armazenar alimentos corretamente.

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