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Desemprego sobe para 5,8% em abril, mas bate recorde histórico para o mês, diz IBGE

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Da redação

Mesmo com juros altos a 14,5%, mercado de trabalho demonstra resistência; país soma 6,3 milhões de desocupados

Desemprego sobe para 5,8% em abril, mas bate recorde histórico para o mês, diz IBGE
Reprodução/Jonathan Lins/g1

A taxa de desocupação no Brasil registrou uma oscilação para cima e ficou em 5,8% no trimestre móvel encerrado em abril de 2026. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

O índice apresentou um aumento de 0,4 ponto percentual em comparação com o trimestre encerrado em janeiro, período em que a taxa estava fixada em 5,4%. Por outro lado, o cenário de longo prazo aponta melhora: no confronto com o mesmo período do ano passado, quando o desemprego atingia 6,6%, houve uma queda de 0,8 ponto percentual. Ao todo, o país contabiliza atualmente 6,3 milhões de pessoas sem trabalho, um avanço de 8% frente ao trimestre anterior.

Apesar do crescimento recente no contingente de desempregados, o resultado foi comemorado pela equipe técnica do instituto. De acordo com a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, esta foi a menor taxa de desocupação já registrada para um trimestre encerrado em abril desde o início da série histórica da pesquisa.

A estabilidade e o vigor do mercado de trabalho chamam a atenção por ocorrerem em um cenário econômico desafiador, marcado pela taxa básica de juros (Selic) mantida no patamar elevado de 14,5% ao ano.

Segundo a análise do IBGE, a sustentação da ocupação — que hoje abrange 102,3 milhões de brasileiros — é impulsionada pela pulverização da demanda por mão de obra em múltiplos setores da economia, englobando vagas formais e informais. Além disso, o encarecimento do consumo gerado pelos juros altos força as famílias a buscarem a manutenção ou ampliação de suas rendas para fazer frente às despesas básicas.

“Mesmo com rendimento crescente, as pessoas precisam permanecer inseridas no mercado de trabalho para dar conta do consumo. Isso faz com que o mercado reaja a efeitos adversos, como a taxa de juros, com certa sustentabilidade”, explicou Beringuy.

Onde estão as vagas?

O contingente de trabalhadores com carteira assinada no setor privado manteve-se estável em 39,3 milhões de pessoas, assim como o mercado informal, que responde por 38,1 milhões de trabalhadores (uma taxa de informalidade de 37,2%).

A pesquisa detalha que o comportamento das contratações e dos salários variou consideravelmente entre as atividades econômicas no último ano:

Setores em expansão: A área de tecnologia e finanças (Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas) registrou alta de 3,3% no número de ocupados, adicionando 425 mil pessoas ao mercado. O setor público (Administração pública, saúde, educação e serviços sociais) cresceu 4,2%, com acréscimo de 766 mil postos de trabalho.

Setores em queda: O segmento de serviços domésticos encolheu 4,7%, o que representa a eliminação de 268 mil postos de trabalho em um ano.

O rendimento médio real habitual do trabalhador brasileiro permaneceu estável em relação ao início do ano, fixado em R$ 3.732. No entanto, a comparação anual revela um ganho real de 5,3% no poder de compra da população. Os maiores reajustes salariais médios ocorreram no setor de "Outros serviços" (+9,7%) e na área de Alojamento e alimentação (+7,5%).

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