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Aliados de Flávio comemoram encontro com Trump, mas admitem impacto limitado sobre crise com Vorcaro

Data:
Maria Eduarda Moura*

O encontro também é visto como uma tentativa de reposicionamento político após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter se reunido com Trump por cerca de três horas, incluindo almoço, no início do mês

Aliados de Flávio comemoram encontro com Trump, mas admitem impacto limitado sobre crise com Vorcaro
Reprodução/Redes Sociais

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como pré-candidato ao Palácio do Planalto, comemoraram o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizado nesta terça-feira (26). Apesar do gesto político, interlocutores do parlamentar avaliam que a reunião pode ter efeito limitado para conter a crise envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo aliados, o principal ganho da agenda é reforçar a imagem de proximidade da família Bolsonaro com a Casa Branca. O encontro também é visto como uma tentativa de reposicionamento político após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter se reunido com Trump por cerca de três horas, incluindo almoço, no início do mês.

Nos bastidores do Congresso, porém, a avaliação é de que a visita dificilmente mudará o foco do noticiário sobre a relação de Flávio com Vorcaro e as suspeitas envolvendo recursos do Banco Master na produção do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro.

Desde que o Intercept Brasil divulgou reportagem apontando pedido de patrocínio feito por Flávio ao ex-banqueiro, o senador passou a enfrentar desgaste político e viu Lula avançar nas pesquisas de intenção de voto, segundo aliados. O entorno do parlamentar teme que uma reação demore a surtir efeito.

A ida à Casa Branca, acompanhada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo empresário Paulo Figueiredo, é tratada por aliados como o primeiro movimento positivo após uma sequência de episódios considerados negativos para o grupo político ligado ao ex-presidente.

Entre eles está a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP), realizada em 7 de maio, por suspeita de beneficiar o Banco Master no Congresso mediante pagamento.

Dias depois, o Intercept Brasil revelou mensagens e áudios em que Flávio pede apoio financeiro a Vorcaro para viabilizar “Dark Horse”. O senador, que inicialmente negava contato com o empresário, passou a admitir a aproximação. Mudanças na versão apresentada e questionamentos sobre a destinação dos recursos ampliaram a crise.

Em meio ao desgaste e à queda nas pesquisas, Flávio substituiu sua equipe de marketing e busca uma nova estratégia de comunicação para conter perdas políticas.

O cenário se agravou ainda com operações da Polícia Federal envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, aliado do grupo bolsonarista e pré-candidato do PL ao Senado.

Na primeira ação, em 15 de maio, Castro foi alvo da Operação Sem Refino, que investiga supostas fraudes fiscais ligadas ao Grupo Refit. Já nesta terça-feira (26), a PF cumpriu nova operação relacionada a suspeitas de aportes irregulares de R$ 3,7 bilhões da Rioprevidência no Banco Master.

Enquanto isso, integrantes do governo Lula e do PT optaram por minimizar o encontro entre Flávio e Trump. Nos bastidores do Planalto, aliados classificaram a visita como uma “tietagem explícita” e avaliam que comentar a reunião poderia ajudar o senador a deslocar o foco das denúncias relacionadas aos contatos com Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

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