O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, rompeu o silêncio e comentou publicamente sobre a operação da Polícia Federal (PF) que o teve como alvo na última semana. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (12), o parlamentar minimizou as investigações envonvendo o Banco Master e adotou um tom de ironia sobre as acusações de corrupção e tráfico de influência.
"Acusações, todos os políticos em algum grau já sofreram, ainda mais o presidente de um grande partido, com muita influência, como é meu caso. Não serei o primeiro nem o último. Agora, comprovar é outra história", afirmou Ciro Nogueira. O senador buscou desqualificar o trabalho investigativo: "Para acusar, a criatividade é infinita; na hora de comprovar, não conseguiram nem conseguirão", completou.
A ação da PF ocorreu na última quinta-feira (7), sob autorização do ministro do STF André Mendonça, relator do caso na Corte, na quinta fase da Operação Compliance Zero. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária. O foco da investigação é o esquema financeiro supostamente comandado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A PF investiga Ciro Nogueira devido à sua suposta proximidade com o banqueiro. Os relatórios apontam que o senador teria recebido "benesses" para defender no Congresso Nacional pautas de interesse do conglomerado Master.
Apesar de Ciro alegar "consciência tranquila", a decisão do ministro André Mendonça detalha indícios robustos da Polícia Federal. Segundo o magistrado, os relatórios apontam a existência de um "vínculo funcional estável" entre o senador e integrantes de diversos núcleos da organização investigada pelas fraudes financeiras.
Para agravar a situação, o STF destacou que Ciro Nogueira é apontado como sócio do próprio banqueiro Daniel Vorcaro em uma empresa, o que sustenta a suspeita de conflito de interesses e o suposto lobby parlamentar em favor do grupo Master. O senador reconheceu que "o dano à honra foi causado", mas aposta que as provas não serão produzidas.