Sob pressão de aliados do PT e do Palácio do Planalto, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou nesta quarta-feira (24) a liderança do governo no Senado. A decisão ocorre seis dias após o parlamentar se tornar alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Segundo o Senador, a saída foi acertada durante reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada. Segundo informações de bastidores, Wagner afirmou que não atuou no Congresso Nacional em favor dos interesses da instituição financeira, disse se sentir injustiçado pelas acusações e alegou que sua permanência no cargo poderia prejudicar o projeto de reeleição do presidente.
A avaliação dentro do governo era de que a continuidade do senador na função já provocava desgaste político para o Palácio do Planalto. Lula, que mantém relação política e pessoal de décadas com Wagner, esperava que o próprio parlamentar tomasse a iniciativa de se afastar do posto.
Alvo da operação da Polícia Federal, Wagner é investigado por suspeitas de ter recebido vantagens indevidas relacionadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. As apurações apontam a suposta aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além de transferências financeiras para empresas ligadas a familiares do senador.
A investigação também menciona a compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, nos Estados Unidos, que teriam sido destinados ao parlamentar e familiares. O benefício, segundo a PF, teria sido viabilizado por empresas com negócios vinculados ao Banco Master. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, agentes encontraram valores em espécie em moedas estrangeiras e relógios de luxo em imóvel ligado ao senador. Wagner afirmou que os recursos são legais, declarados e provenientes de diárias recebidas durante viagens oficiais internacionais realizadas pelo Senado.
O senador nega qualquer irregularidade e sustenta que jamais atuou para beneficiar o Banco Master. Sobre o apartamento citado nas investigações, afirma que a negociação ocorreu com a intenção de futura aquisição do imóvel para sua filha, sem qualquer relação com favorecimentos políticos.