O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu de forma irônica, na tarde desta quinta-feira (14), ao ser questionado sobre o escândalo dos áudios vazados envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante o corpo a corpo com a imprensa, o petista preferiu se esquivar de polêmicas diretas e empurrou o assunto para as autoridades policiais.
“Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Então vá na primeira delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro”, disparou o presidente.
A fala de Lula ocorre em um momento estratégico, no qual o Palácio do Planalto tenta centralizar o debate público nas entregas do governo e na retomada econômica, deixando o desgaste do clã Bolsonaro correr por conta das investigações da Polícia Federal. Ao sugerir que os repórteres procurem uma delegacia, o presidente carimba o episódio como um caso estritamente criminal, e não apenas uma disputa de narrativa política.
O caso
A crise em torno de Flávio Bolsonaro estourou nesta semana após o site Intercept Brasil divulgar áudios de setembro de 2025. Nas gravações, o senador aparece cobrando parcelas atrasadas de um patrocínio milionário a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O montante, estimado em R$ 61 milhões, teria sido direcionado para o financiamento de "Dark Horse", a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Embora o parlamentar tenha vindo a público confirmar a autenticidade das mensagens e assegurar que a transação foi estritamente privada — sem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet —, a repercussão gerou um forte desgaste em sua pré-candidatura à Presidência. Como contra-ataque, Flávio passou a exigir a instalação de uma CPI do Banco Master, tentando associar a imagem do banqueiro preso a integrantes da atual gestão federal.