A citação ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, STF, em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reacendeu a pressão da oposição no Congresso por um pedido de impeachment do magistrado e pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, para investigar o caso.
Toffoli é relator da investigação envolvendo o banco no STF. A condução do processo passou a ser questionada após a divulgação de um relatório da Polícia Federal, entregue ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que menciona telefonemas, convite para festa de aniversário do ministro e conversas sobre pagamentos ligados ao resort Tayayá, empreendimento do qual Toffoli foi sócio.
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o pedido de suspeição é baseado em “ilações”. Nesta quinta-feira, Toffoli confirmou que foi sócio da empresa que detinha cotas do resort e que vendeu sua participação a um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O ministro declarou que nunca recebeu valores do banqueiro ou de familiares e ressaltou que passou a relatar o caso quando já não integrava a administração do empreendimento.
Pressão por CPI e impeachment
As revelações intensificaram a mobilização de parlamentares da oposição, especialmente ligados ao PL. O vice-líder da oposição, deputado Carlos Jordy, PL-RJ, afirmou que se tornou “insustentável” adiar a abertura da CPI do Banco Master.
Jordy informou ainda que apresentará representação à Procuradoria-Geral da República, PGR, pedindo o afastamento de Toffoli da relatoria. Paralelamente, deputados articulam novos pedidos de impeachment contra o ministro, movimento liderado por Nikolas Ferreira, PL-MG.
Nesta quinta-feira, parlamentares do Novo protocolaram outro pedido de impeachment, com a presença do senador Eduardo Girão, CE, e do deputado Marcel van Hattem, RS, ampliando a pressão política sobre o magistrado. Cabe ao Senado analisar eventual processo contra ministro do STF.
Resistência
Apesar da mobilização, a direção da Câmara e do Senado adota postura de cautela. O requerimento para criação da CPI já foi apresentado, mas enfrenta resistência. A tendência, segundo interlocutores, é aguardar o avanço das investigações no próprio STF e eventual manifestação da PGR antes de qualquer decisão institucional.
A avaliação reservada entre líderes é que uma ofensiva sem base jurídica consolidada poderia fracassar e reacender uma crise entre Poderes em um ambiente político já tensionado.