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Líderes da Bamor são denunciados por organização criminosa e tortura em Salvador

Data:
Atualizado em: 05 de Outubro de 2026
Victor Quirino

Dez integrantes da torcida, entre eles presidente e diretores, seguem presos preventivamente após operação

Líderes da Bamor são denunciados por organização criminosa e tortura em Salvador
Rafael Rodrigues/EC Bahia

O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou dez integrantes da diretoria da Torcida Organizada Bamor, incluindo o presidente, o vice-presidente e diretores, pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A denúncia foi protocolada na última sexta-feira (2), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como desdobramento da Operação Inquisição.

Os denunciados seguem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. O Ministério Público pede a condenação dos envolvidos pelos crimes atribuídos individualmente a cada um, além da manutenção das prisões e do pagamento de indenizações às vítimas por danos materiais e morais. O órgão também solicita R$ 2 milhões por danos morais coletivos.

Investigações apontam violência na sede

Segundo a acusação, os investigados fariam parte de uma estrutura criminosa estável, organizada e com divisão de funções. Os crimes teriam ocorrido em julho, quando duas pessoas foram submetidas a sessões de violência física e psicológica dentro da sede da torcida, em uma tentativa de obter confissões sobre supostas irregularidades no sistema de gestão de associados.

A Operação Inquisição foi deflagrada pelo MPBA em 28 de setembro, com dez prisões preventivas e mandados de busca e apreensão. Na ocasião, as investigações apontaram suspeitas de agressões, ameaças, sufocamento e afogamento, além do possível uso de instrumentos como taco de beisebol, martelo e faca durante os episódios.

Quem são os denunciados

Foram denunciados Matheus Pires Castro, presidente da Bamor; Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente; Gabriel Pereira Silva, diretor-geral; Daniel Sena Duarte e Luiz Wagner da Silva Santana, diretores de sede; Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing; Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio; Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria; Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro; e o policial militar Fernando Santana Esquivel, apontado pelo MPBA como integrante da torcida.

Bamor se posiciona

Após as denúncias, a Torcida Bamor se posicionou por meio das redes sociais. Em nota oficial publicada pela diretoria, a entidade afirmou que reconhece a atuação das autoridades e que espera que as medidas investigativas sejam adotadas com “critérios objetivos, uniformes, imparciais e devidamente fundamentados”.

No comunicado, a Bamor afirmou que “não apoia nem compactua com condutas ilícitas” e defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas de forma individualizada.

A denúncia do MPBA ainda será analisada pela Justiça e não representa condenação dos acusados. Os denunciados poderão apresentar defesa ao longo do processo, enquanto o Ministério Público busca manter as prisões preventivas e obter as indenizações previstas na acusação.

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