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Paquistão e Afeganistão trocam bombardeios após declaração de “guerra aberta”

Data:
Antonio Dilson Neto

Irã e China se oferecem para mediar crise e pedem cessar-fogo imediato

Paquistão e Afeganistão trocam bombardeios após declaração de “guerra aberta”
Reprodução/Forças Armadas do Paquistão

O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques na madrugada desta sexta-feira no horário de Brasília, após Islamabad declarar “guerra aberta” contra o país vizinho. A escalada marca a ruptura mais grave entre os dois desde o retorno do Talibã ao poder.

O Exército paquistanês bombardeou diversas cidades afegãs, incluindo a capital Cabul, além de Kandahar e alvos na província de Paktia. Segundo autoridades de Islamabad, mísseis disparados por via aérea atingiram escritórios e instalações militares do Talibã. Testemunhas relataram explosões e a presença de caças sobrevoando áreas urbanas.

Kandahar é considerada o principal reduto político do Talibã e abriga o líder supremo do grupo, Haibatullah Akhundzada.

Em resposta, o governo talibã afirmou ter realizado ataques com drones contra instalações militares paquistanesas em Islamabad, Nowshera, Jamrud e Abbottabad, classificando a ação como “retaliação”. O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, declarou que todos os drones foram abatidos e que não houve vítimas.

O porta-voz do Exército paquistanês, Ahmed Sharif Chaudhry, afirmou que 22 alvos militares afegãos foram atingidos e que 274 integrantes do regime talibã morreram desde quinta-feira à noite. Cabul não confirmou as mortes. Segundo Islamabad, ao menos 12 soldados paquistaneses morreram no confronto.

A ofensiva ocorre após meses de tensão na fronteira. Na quinta-feira à noite, forças afegãs lançaram uma operação contra tropas paquistanesas em resposta a bombardeios realizados no fim de semana anterior. Houve troca intensa de tiros e uso de artilharia dos dois lados.

O governo paquistanês declarou que sua “paciência chegou ao limite” e afirmou estar pronto para “esmagar” o Talibã. Já Cabul disse que prefere resolver o impasse por meio do diálogo, embora tenha anunciado a retomada de operações ofensivas na fronteira.

Potência nuclear, o Paquistão acusa o Talibã de dar abrigo a militantes responsáveis por atentados em seu território. O governo afegão nega.

Em meio à escalada, Irã e China se ofereceram para mediar o conflito e pediram moderação. Pequim solicitou cessar-fogo imediato para evitar novo derramamento de sangue.

As versões oficiais seguem divergentes. O porta-voz talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que dezenas de soldados paquistaneses morreram e que postos militares foram capturados. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, negou perdas territoriais e disse que as forças afegãs sofreram “graves danos”.

Os ataques aéreos representam a primeira vez que Islamabad mira diretamente instalações do Talibã desde que o grupo reassumiu o controle do Afeganistão. 

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