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Quem é Navi Pillay, jurista que venceu o Nobel da Paz aos 85 anos

Data:
Antonio Dilson Neto

Jurista sul-africana de 85 anos foi a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte de seu país e atuou em tribunais internacionais em casos de genocídio e crimes contra a humanidade.

Quem é Navi Pillay, jurista que venceu o Nobel da Paz aos 85 anos
Reprodução/Valentin Flauraud/

A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9), em reconhecimento à sua trajetória na defesa dos direitos humanos e na busca por responsabilização por crimes internacionais. Ex-alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, ela ganhou projeção internacional após atuar em julgamentos históricos relacionados a genocídios e à violência sexual em conflitos.

Nascida em 23 de setembro de 1941, em um bairro pobre de Durban, na África do Sul, Pillay é descendente do povo tâmil, originário do sul da Índia, e filha de um motorista de ônibus. Sua carreira jurídica começou durante o regime do apartheid, sistema de segregação racial que restringia direitos da população negra e concentrava poder nas mãos da minoria branca.

Conhecida como Navi, ela se tornou a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte sul-africana. Sua atuação durante a luta contra o apartheid foi reconhecida pelo Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou o movimento contra o regime e teve Nelson Mandela entre suas principais lideranças.

Com o fim da segregação racial, Pillay ampliou sua atuação para o cenário internacional. Ela foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde presidiu o julgamento relacionado ao genocídio de 1994. Sua participação contribuiu para consolidar entendimentos jurídicos sobre o uso do estupro e de outras formas de violência sexual como instrumentos de genocídio e crimes contra a humanidade.

Pillay permaneceu oito anos no tribunal, quatro deles como presidente. Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, posição de destaque na estrutura das Nações Unidas para monitorar violações e cobrar providências de governos.

Atuação em casos internacionais

Mais recentemente, Pillay participou de iniciativas internacionais relacionadas a acusações de genocídio. Em setembro de 2025, ela supervisionou a divulgação de um relatório de uma Comissão de Inquérito da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza e apontou responsabilidade de autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por incitação. Israel rejeitou as acusações.

A jurista também atua na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que analisa o processo em que Mianmar é acusado de genocídio contra a minoria rohingya. O caso integra uma série de iniciativas internacionais voltadas à apuração de crimes graves e à responsabilização de Estados.

ONU celebra reconhecimento

Após o anúncio do Nobel, o escritório de direitos humanos das Nações Unidas comemorou a escolha e destacou a importância da trajetória de Pillay para a promoção dos direitos fundamentais.

A porta-voz do departamento, Shabia Mantoo, afirmou a jornalistas em Genebra que o reconhecimento representa um incentivo para que mais pessoas se posicionem em defesa dos direitos humanos em todo o mundo.

O chefe de direitos humanos da ONU também classificou a premiação como uma vitória coletiva para quem trabalha por justiça e responsabilização. Ele ressaltou a importância de mecanismos internacionais, como o Tribunal Penal Internacional, para investigar e julgar crimes graves.

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