Provavelmente, você acordou hoje e já viu a notícia: o Partido Democrata saiu vencedor das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Os democratas conquistaram a maioria no Senado, com 54 cadeiras, e também na Câmara dos Deputados, com 228 assentos, segundo a apuração até a manhã desta quarta-feira. Eles viraram em diversos estados-chave e impuseram uma derrota histórica a Trump.
Diferente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando isso ocorre na metade do mandato presidencial, as eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
O Senado americano tem 100 cadeiras, e as demais só serão renovadas na eleição de 2028, que também escolherá o presidente do país. Para obter a maioria na Casa, um partido precisa eleger 51 senadores. Nas eleições de 2024, por exemplo, os republicanos, partido de Trump, conquistaram 53 cadeiras.
A guerra dos tronos
Se você já assistiu a Game of Thrones, uma das adaptações mais premiadas — e controversas — da TV, deve lembrar da cena entre Cersei e Mindinho, em que a rainha mostra quem manda e diz a célebre frase: “Power is power”. E, quando o poder é ameaçado, sobra pouco tempo para comprar as brigas dos amiguinhos.
Flávio Bolsonaro e o limitado número de apoiadores que concordou com a saída apressada do senador do país provavelmente acreditavam que Donald Trump compraria a briga, baterias na mesa e declararia guerra ao sistema eleitoral brasileiro.
Só que não foi bem assim.
O autoproclamado todo-poderoso limitou-se a dizer que “houve algo estranho” nas eleições e que Flávio poderá ficar o tempo que quiser nos Estados Unidos. Isso, vale lembrar, não é uma concessão formal de asilo político — o que, por si só, já frustrou a intenção do 01.
Em inglês, há uma expressão popular que cabe aqui: “to have a bigger fish to fry” (um peixe maior para fritar, em tradução literal). Trump tem agora a sua própria guerra para travar: perdeu o controle do Legislativo, teme a possibilidade de um impeachment e pode ter de enfrentar ninguém menos Barack Obama na disputa presidencial de 2028.
Enquanto isso, no domingo (1º), o ex-presidenciável foi a um culto evangélico, nos Estados Unidos, com a mulher, o irmão Eduardo e a cunhada. Pelo visto, só resta mesmo a Flávio Bolsonaro tentar pedir intervenção divina.