O boletim de ocorrência da prisão do ex-ator Marco Furlan, de 48 anos, revelou novos detalhes sobre o caso que levou o artista a ser investigado por suspeita de estupro de vulnerável. O episódio aconteceu no último domingo (2), durante uma festa de aniversário realizada em uma chácara em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, e envolve um menino de 5 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo o documento, a mãe da criança ouviu gritos vindos de um dos quartos do imóvel e correu até o local acompanhada por uma amiga da família. Ao entrar no cômodo, ela encontrou, conforme o registro policial, Marco Furlan sem roupas sobre a cama ao lado do menino, que também estava despido.
Ainda de acordo com o boletim, a criança chorava, reclamava de dores, repetia a expressão "ai... ai..." e mantinha as mãos na região das nádegas. Diante da situação, a mãe retirou o filho do quarto e pediu que o suspeito deixasse o local. A testemunha que acompanhava a mãe afirmou aos policiais que entrou no cômodo logo em seguida e viu o ex-ator sem as calças, segurando a roupa íntima da criança. Ela também declarou ter ouvido o menino dizer "para... tá doendo" antes de chegar ao quarto.
Conforme o boletim, Marco Furlan negou ter cometido qualquer abuso quando foi confrontado e resistiu a sair do ambiente. A testemunha relatou que ele dizia repetidamente que "jamais faria aquilo" e alegava que apenas estava passando pelo local.
O registro policial aponta ainda que o investigado apresentou versões diferentes sobre o ocorrido. Em um primeiro momento, teria afirmado que confundiu a criança com a própria namorada. Depois, negou qualquer prática criminosa. Já na delegacia, acompanhado por advogados, declarou que não se lembrava do que havia acontecido.
Ao analisar o caso, a delegada responsável entendeu que os relatos da mãe, dos policiais e das testemunhas apresentavam coerência entre si e apontavam indícios suficientes da prática do crime de estupro de vulnerável. Embora o atendimento médico não tenha apontado lesões, a autoridade policial destacou que a jurisprudência dos tribunais superiores considera que a prática de ato libidinoso contra criança já é suficiente para a configuração do crime.
A Polícia Civil também pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, alegando a necessidade de preservar a ordem pública e garantir a proteção da vítima durante o andamento das investigações. Na segunda-feira (3), Marco Furlan passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida pela Justiça. O inquérito segue em andamento e tramita sob sigilo por envolver uma criança.
Conhecido por trabalhos na televisão, Marco Furlan participou de produções como "Aline", da TV Globo, além da série "Mulher de Fases" e de campanhas publicitárias para grandes marcas.