Novos detalhes sobre a "Operação Catarse", deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), revelam como o psicoterapeuta Jordan Van Der Zeijden Campos, conhecido como Jordan Campos, atuava para obter vantagens financeiras e sexuais de suas vítimas. De acordo com as investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Nevid, o principal fundamento financeiro da ação envolve o desvio de R$ 345 mil de uma única paciente.
O esquema veio à tona após a mulher revelar detalhes de sua vida financeira de maneira confidencial durante as sessões de terapia. Aproveitando-se do momento de fragilidade e da confiança estabelecida, o especialista propôs que ela investisse o montante em seu próprio consultório.
Após realizar a transferência bancária, a vítima chegou a se mudar para Salvador para trabalhar no local, mas acabou sendo isolada da movimentação financeira, teve seus acessos de gestão bloqueados e o investigado recusou-se a devolver o dinheiro. Para os promotores, há indícios claros de estelionato qualificado com indução ao erro e uso de vulnerabilidade psicológica.
Relatos de manipulação e violência sexual
Além do golpe patrimonial, Jordan Campos — que acumula mais de 400 mil seguidores nas redes sociais e atua há dez anos no mercado — responde por graves acusações de violação sexual mediante fraude e assédio. Até o momento, quatro mulheres formalizaram denúncias contra o profissional, relatando um padrão sistemático de atuação que vinha ocorrendo pelo menos desde 2020.
Uma das vítimas, que era aluna e paciente do suspeito, relatou ter sido convencida por ele a viajar do Rio Grande do Sul para a Bahia, onde sofreu atos sexuais sem consentimento sob forte manipulação psicológica. Outras duas mulheres, ex-alunas e ex-funcionárias, apresentaram provas de assédio moral e sexual, além de coerção para a prática de atos sexuais dentro do ambiente de trabalho.
Segundo os depoimentos coletados pelo MP-BA, as vítimas afirmaram que existem outras mulheres que sofreram abusos semelhantes, mas que ainda não procuraram as autoridades por medo ou vergonha.
Embora o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público tenha sido negado pela Justiça na terça-feira (26), uma série de medidas cautelares severas foi imposta ao psicoterapeuta. O Poder Judiciário determinou o bloqueio de R$ 960 mil das contas do investigado, além da quebra de seus sigilos informático e telemático.
A Justiça também decretou a suspensão imediata de todas as atividades profissionais de Jordan Campos. Ele está terminantemente proibido de realizar consultas clínicas, atendimentos psicoterapêuticos, mentorias, palestras ou cursos, seja de forma autônoma ou por meio de suas empresas. Mandados de busca e apreensão já foram cumpridos em seus endereços na Pituba e no Caminho das Árvores.
Em nota oficial enviada à imprensa, Jordan Campos declarou ser inocente das acusações e afirmou que vai colaborar com a Justiça, exercendo seu direito de defesa com a certeza de que os fatos serão esclarecidos.
O que diz Jordan Campos
"A PACIENTES, ALUNOS, SEGUIDORES E MÍDIA
Desde ontem meu nome passou a circular de forma muito intensa na mídia e nas redes sociais em razão de uma investigação que se tornou pública após o cumprimento de medidas judiciais.
Sou o Jordan Campos, terapeuta, professor, escritor, casado há 14 anos e pai de 4 filhos.
Preciso já iniciar dizendo com clareza que sou totalmente inocente das acusações que vêm sendo feitas. Nunca pratiquei assédio, abuso ou qualquer forma de exploração contra quem quer que seja. Na verdade eu luto contra exatamente isso.
Está é uma acusação que inclusive foi feita há 4 anos pelas mesmas pessoas atuais; fui investigado por 6 meses pelo Ministério Público do Trabalho; finalizando no arquivamento sob forte conclusão de que não houve nenhuma prova destas acusações de assédio, a diferença é que não tivemos esta repercussão midiática extrema.
Agora, este mesma queixa que já foi arquivada vem diretamente do MP, acrescida da acusação de estelionato que se deve a um contrato firmado em que a pessoa discordou; deu queixa em delegacia e igualmente ao outro; a queixa e acusação foram arquivadas e concluso que não existe nenhum indício de estelionato e que tudo correu normalmente como pactuado em contrato. Conclusão está da investigação policial.
O papel do Ministério Público é investigar, o papel da autoridade policial é cumprir e estamos ainda apenas na investigação. Não existe nenhuma condenação.
Eu cuido de pessoas há 20 anos, fiz um caminho de muita dedicação em cada consulta, aula, evento. Repito que jamais, jamais realizei tais atos, o que já foi provado em outras instâncias como falei.
Minha trajetória sempre foi pública, aberta, conhecida e construída diante de milhares de pessoas ao longo dessas duas décadas.
Estou neste momento com problemas de acesso à minha conta oficial do Instagram devido a terem levado celular e notebook e eu não conseguir fazer a dupla autenticação. Mas estou resolvendo.
Neste momento, por respeito ao processo e às orientações jurídicas, não entrarei em detalhes sobre os fatos atuais que correm em sigilo. Tudo será enfrentado tecnicamente, no local adequado, que é a Justiça. Estou dando uma satisfação pública extremamente necessária.
Agradeço profundamente às milhares de pessoas que me conhecem há anos, que acompanham meu trabalho e têm enviado muitas mensagens de apoio, carinho e confiança.
Seguirei colaborando totalmente com a Justiça, exercendo meu direito de defesa e tendo absoluta certeza de que a verdade será plenamente esclarecida, como já foi.
E pode confiar que ao final disso tudo será plenamente esclarecido e provado."