O governo dos Estados Unidos intensificou a pressão sobre o Brasil ao incluir o Pix entre os principais alvos de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A apuração, aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, analisa supostas práticas consideradas prejudiciais a empresas norte-americanas que atuam nos setores de pagamentos digitais e tecnologia.
No relatório preliminar divulgado em 1º de junho de 2026, o USTR afirmou que o Pix recebe tratamento preferencial por ser operado e regulado pelo próprio Banco Central do Brasil. Segundo os Estados Unidos, essa estrutura criaria um possível conflito de interesses e colocaria empresas privadas estrangeiras em desvantagem competitiva. O documento também critica a gratuidade do sistema para pessoas físicas e as regras impostas às instituições financeiras participantes.
A conclusão da investigação levou o governo de Donald Trump a recomendar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida ainda depende de decisão final da Casa Branca e passará por consulta pública e audiência marcada para 6 de julho. O relatório definitivo deve ser publicado até 15 de julho.
O governo brasileiro rejeita as acusações e sustenta que o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu custos para consumidores e aumentou a concorrência no sistema bancário. Lançado em novembro de 2020, o meio de pagamento se tornou um dos mais utilizados do país e é apontado por especialistas como referência internacional em transferências instantâneas.