A defesa do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para investigar a origem de vazamentos de mensagens atribuídas a conversas entre ele e autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes. O pedido foi divulgado em nota nesta sexta-feira (6).
Segundo os advogados, trechos de diálogos que teriam sido extraídos de celulares apreendidos durante as investigações passaram a circular na imprensa nos últimos dias. A defesa afirma que as conversas podem ter sido editadas ou divulgadas fora de contexto, o que, na avaliação dos advogados, pode comprometer a correta compreensão dos fatos.
No pedido encaminhado ao STF, os advogados solicitam a instauração de uma investigação para identificar a origem dos sucessivos vazamentos de informações consideradas sigilosas. O material teria sido obtido a partir de telefones celulares apreendidos durante as apurações envolvendo o banqueiro.
De acordo com a defesa, o espelhamento dos dados dos aparelhos foi entregue aos advogados apenas no dia 3 de março de 2026. Após a entrega, o disco rígido com as informações teria sido lacrado imediatamente na presença da autoridade policial responsável, dos advogados e de um tabelião, com o objetivo de preservar o sigilo do conteúdo.
Mesmo assim, segundo os representantes de Vorcaro, trechos supostamente retirados desses dispositivos começaram a ser divulgados por veículos de comunicação antes de a própria defesa ter acesso completo ao material. Diante disso, os advogados pedem que a autoridade policial apresente uma lista com todas as pessoas que tiveram acesso aos dados armazenados nos celulares apreendidos.
A defesa afirma que o objetivo do pedido não é investigar jornalistas ou pessoas que eventualmente tenham recebido as informações. Segundo os advogados, a solicitação busca identificar quem, tendo a responsabilidade legal de custodiar o material sigiloso, pode ter descumprido esse dever funcional ao permitir a divulgação do conteúdo.
Reportagem do jornal O Globo afirmou que Vorcaro teria trocado mensagens de WhatsApp com o ministro Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, data em que o empresário foi preso pela primeira vez. Segundo o veículo, teriam sido enviadas nove mensagens entre 7h19 e 20h48 daquele dia.
Nas conversas citadas, o banqueiro teria relatado negociações em andamento para tentar salvar o Banco Master. Em uma das mensagens, ele afirmou que buscava antecipar acordos com investidores e que havia possibilidade de anunciar ainda naquele dia parte de um acordo com a financeira Fictor.
Ainda segundo a publicação, Moraes teria respondido a uma das mensagens utilizando um recurso de visualização única, que desaparece após ser aberto. O conteúdo teria sido escrito previamente em um bloco de notas, transformado em imagem e enviado como captura de tela.
Procurada, a assessoria do ministro Alexandre de Moraes afirmou que ele não recebeu as mensagens mencionadas na reportagem e classificou a informação como uma “ilação mentirosa” com o objetivo de atacar o STF.
Nos últimos dias, outras mensagens atribuídas a Vorcaro também vieram a público. Parte delas consta em documentos obtidos pela Comissão Parlamentar de Inquérito mista do Instituto Nacional do Seguro Social.
Em uma das conversas, trocada com sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff, o empresário comentou um encontro que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. Na mensagem, Vorcaro afirmou que a reunião “foi ótima” e relatou que Lula teria convidado para o encontro o então diretor do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, apontado na ocasião como futuro presidente da instituição, além de três ministros.
O encontro citado ocorreu antes de o escândalo de fraude financeira envolvendo o Banco Master se tornar público.