O ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de delação premiada com informações sobre o caso envolvendo o Banco Master. O documento, que ainda está em fase de ajustes antes da assinatura, tem 17 anexos e cita o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
No caso de Wagner, Mansur relata que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, teria solicitado a compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, em 2023. Os bilhetes, avaliados em R$ 63,3 mil, teriam sido destinados ao senador.
Wagner afirmou que a compra ocorreu a partir de um pedido pessoal para ajudá-lo a conseguir os ingressos. O senador também declarou não conhecer Mansur e não ter relação com a Reag.
ACM Neto aparece na delação como proprietário do fundo de investimentos Seattle 95, que era administrado pela Reag até 2025. O fundo investiu cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, ligado a operações de crédito do Banco Master.
Neto afirmou que os recursos utilizados no fundo tinham origem declarada e lícita e que a Reag foi contratada para administrar os investimentos. Segundo ele, as operações seguiram as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O principal alvo da proposta de delação, no entanto, é Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Mansur afirma que fundos administrados pela Reag teriam sido utilizados em operações para desviar recursos da instituição, com uso de empresas, beneficiários considerados “laranjas” e estruturas offshore.
A proposta prevê que Mansur pague R$ 40 milhões em multas. O acordo ainda não foi formalmente assinado e, caso avance, deverá ser analisado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pelo caso.