A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4), uma nova fase da operação Compilance Zero e efetuou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O pedido de prisão foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal após a identificação de novas provas consideradas contemporâneas pela corporação. No relatório apresentado à Corte, a PF afirma que Vorcaro lideraria um grupo responsável por coagir e ameaçar desafetos, com atuação descrita como organizada e violenta.
Segundo os investigadores, conversas encontradas no celular do banqueiro revelaram a existência de um grupo de WhatsApp chamado “A turma”, no qual teriam sido discutidas ações contra alvos específicos. As mensagens indicariam não apenas debates sobre possíveis retaliações, mas também a autorização para que determinadas ações fossem executadas.
Um dos planos mencionados nas conversas envolveria a simulação de um assalto. A encenação teria como objetivo criar um pretexto para agressões físicas contra a vítima escolhida.
A apuração também aponta que o grupo reunia pessoas com diferentes vínculos institucionais, incluindo um ex-diretor e um ex-chefe de departamento do Banco Central, além de um policial civil que, segundo a PF, teria a função de operacionalizar ou encaminhar as ações.
Entre os participantes citados está Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha em Belo Horizonte e cunhado de Vorcaro. Zettel foi o sexto maior doador das eleições de 2022 e o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas e de Jair Bolsonaro naquele pleito.
A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça, que acatou os argumentos apresentados pela Polícia Federal. Para os investigadores, o conteúdo extraído do telefone do banqueiro demonstraria risco concreto à ordem pública e indícios de atuação estruturada para intimidação e violência.