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De Massaranduba ao Jabuti: baiano conquista prêmio literário com livro de estreia

Data:
Atualizado em: 28 de Outubro de 2026
Larissa Carneiro*

Nascido em Salvador, Abáz venceu o Prêmio Jabuti 2026 com uma coletânea de contos inspirada no cotidiano da periferia onde cresceu

De Massaranduba ao Jabuti: baiano conquista prêmio literário com livro de estreia
Reprodução/Arquivo pessoal/Abáz Reis

O que começou como uma experiência em uma oficina de escrita literária acabou levando Abáz Reis a uma das principais premiações da literatura brasileira. Nascido no bairro de Massaranduba, em Salvador, o professor e pesquisador conquistou o Prêmio Jabuti 2026, na categoria Conto, com seu primeiro livro, que leva o nome do lugar onde cresceu.

 A obra também venceu o Prêmio Sesc de Literatura 2025, reconhecimento que marcou sua estreia no mercado editorial.

Apesar de sempre ter sido um leitor assíduo, Abáz nunca havia pensado em escrever ficção. A descoberta aconteceu em 2024, quando encontrou nas redes sociais uma oficina gratuita de escrita promovida por uma biblioteca de São Paulo, cidade onde mora atualmente. “Eu achei uma delícia escrever, fiquei meio viciado”, conta.

A ideia de escrever sobre Massaranduba surgiu durante uma oficina com o escritor João Silvério Trevisan. Na infância, Abáz morou com a mãe em uma palafita e, por muito tempo, desejou deixar o bairro. Anos depois, a distância e as mudanças em sua vida o fizeram olhar para o lugar de origem de outra maneira. “É meio estranho quando você faz esse tipo de deslocamento de classe”, reflete.

Publicado em 2025, Massaranduba reúne 18 contos inspirados no cotidiano da periferia de Salvador. Embora sejam ficcionais, as histórias partem de experiências pessoais, relatos de familiares e vizinhos e acontecimentos que marcaram o autor. “A história que está sendo contada é ficção, mas todas têm um pontinho de verdade”, explica.

Reprodução/Arquivo pessoal/Abáz

Uma das narrativas, por exemplo, nasceu após uma notícia sobre câmeras utilizadas pelo tráfico para vigiar ruas de Massaranduba e da Ribeira. Ao comentar o caso, a mãe do escritor observou que o bairro só aparecia na televisão em situações daquele tipo. A lembrança inspirou um conto que mistura esse contexto real a personagens e situações inventadas.

Nos textos, humor e sarcasmo convivem com temas como violência, perdas e morte. Para Abáz, retratar a periferia exige mostrar suas contradições sem romantizar as dificuldades nem reduzi-la à criminalidade. 

“Quero que as pessoas olhem para esse lugar (ou sintam esse lugar) como um espaço muito vivo. Um tanto caótico, barulhento, mas festivo, complexo”, afirma.

Formado em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), Abáz também atua como professor da rede municipal de São Paulo. Para ele, o reconhecimento literário fortalece a vontade de continuar escrevendo. 

“A literatura é um tiro no escuro. A gente, em geral, está só, sozinho, escrevendo. Você não tem muito como saber se aquilo é bom, se aquilo faz algum sentido”, diz.

Agora, o escritor trabalha em um novo projeto: um romance ambientado em Salvador, cuja história parte de um acontecimento da década de 1960. Ainda sem previsão de lançamento, o livro marca um encontro entre passado e presente.

*Sob supervisão de Antonio Dilson Neto

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