O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está disposto a recalibrar o critério para sua próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Após sofrer uma derrota histórica no Senado com a rejeição de Jorge Messias, que obteve apenas 34 dos 41 votos necessários, o petista sinaliza que pode abrir mão do critério de "amizade pessoal" em favor de um nome com melhor trânsito político e perfil progressista.
Nas indicações anteriores deste terceiro mandato — Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Jorge Messias —, Lula priorizou a confiança estrita e a convivência direta. No entanto, o cenário de tensão com o Legislativo, especialmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), forçou o Planalto a entender que nomes "da cozinha" do presidente enfrentam maior resistência institucional.
Aliados afirmam que Lula não pretende abrir mão de sua prerrogativa de escolha, mas deve considerar um cardápio mais variado de juristas. O novo indicado deve ser alguém cuja trajetória seja conhecida e respeitada pelo campo progressista, mas que não carregue o rótulo de "leal ao extremo", o que facilita o diálogo com parlamentares de centro e oposição.
A escolha de uma mulher, demanda constante da base de apoio da esquerda, segue no radar, embora nenhum nome tenha se consolidado como favorito até o momento. O vice-presidente Geraldo Alckmin confirmou nesta segunda-feira (4) que o presidente já trabalha na definição do novo nome, descartando uma possível reapresentação de Messias, o que seria visto como uma "declaração de guerra" ao Congresso.
A definição oficial só deve ganhar fôlego após o compromisso internacional desta semana. Lula embarca para os Estados Unidos, onde se encontrará com o presidente Donald Trump na Casa Branca, na próxima quinta-feira. Somente após o retorno de Washington é que o presidente intensificará as consultas jurídicas e políticas para bater o martelo sobre quem ocupará a cadeira vaga na Suprema Corte, buscando um nome que pacifique a relação entre os Poderes.