O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22) que não cabe a ele opinar sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que apresentou um enredo em sua homenagem no Carnaval.
Questionado sobre críticas de lideranças evangélicas a uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, o petista disse não ter responsabilidade sobre o conteúdo da apresentação. “Eu não sou o carnavalesco, não fiz o samba-enredo nem cuidei dos carros alegóricos. Sou apenas homenageado em uma música maravilhosa”, declarou.
Lula também afirmou que a homenagem teve, na prática, como foco principal sua mãe, Dona Lindu, e relembrou a trajetória da família migrando do Nordeste para São Paulo. “É uma pena que a minha mãe já tivesse morrido e não ouvisse a música. Ela conta a saga dela de trazer a gente para São Paulo”, disse.
O presidente acrescentou que pretende agradecer pessoalmente à escola pela homenagem, embora tenha se confundido ao afirmar que faria isso quando retornasse a São Paulo, apesar de a agremiação estar sediada em Niterói, no estado do Rio de Janeiro.
No desfile, a escola retratou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, passando pela mudança para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, a liderança sindical e a chegada à Presidência da República.
Rebaixamento e ações judiciais
Apesar da visibilidade, a Acadêmicos de Niterói terminou a apuração em último lugar e foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval carioca, após receber apenas duas notas máximas em sua estreia na elite.
O enredo também gerou reação política. Partidos como o Partido Liberal e o Missão protocolaram representações no Tribunal Superior Eleitoral contra o presidente, alegando possível irregularidade na homenagem.
Ao todo, quatro representações foram enviadas à Corte Eleitoral sobre o tema, duas antes do desfile e duas após a apresentação. Outras ações semelhantes também foram protocoladas em diferentes instâncias da Justiça.
Em decisão anterior, o TSE negou liminares que buscavam impedir o desfile, argumentando que não era possível analisar fatos que ainda não haviam ocorrido, mas deixou aberta a possibilidade de avaliação posterior. Ainda não há prazo para julgamento das novas ações.